Saturday, 29-05-2010 às 08:16 Dia-a-dia,Eu,Música @ 306 palavras

Cansada, com sono, e pensando nos trabalhos a apresentar no próximo dia e nos outros também, desci do ônibus implorando para que minha casa aparecesse no meio do caminho para me buscar ao invés de ter que andar até ela. A lua estava lá, reinando majestosa no céu, e as estrelas dançando à sua volta, mas o cansaço falava mais alto, e nada parecia tão bonito quanto realmente era.

E, quando chegava perto da maior rua até a minha casa, aquela reta gigante que parece não mais ter fim quando se está cansada como eu estava, ouço o som de um violino. Não reconheci a canção, mas fui procurando de onde o som estaria vindo. Estava atrás de uma janela de vidro, no segundo ou terceiro andar de uma casa, um garoto que já havia visto, mas jamais havia imaginado possuir tão belo talento. Parecia estar começando a aprender como manejar o instrumento, ou talvez fosse só uma música nova e mais complicada, pois produzia vez ou outra aqueles sons estridentes e desajeitados que só um violino consegue produzir. Mas, a verdade é que, até esses deslizes desafinados eram surpreendentemente amáveis.

Por milésimos de segundo meu olhar se encontrou com o do violinista, e não sei o que ele quis me dizer com o olhar, mas sei que sorri. Sorri e segui meu caminho, ainda ouvindo ao longe aquela melodia que eu não conhecia, mas que naquele momento, era tão confortante quanto o abraço de um velho amigo. E enquanto andava, já não pensava mais nos problemas e trabalhos, mas nos amigos queridos, no livro que iria ler antes de dormir, e em quanto a vida pode se tornar mais doce com esses pequenos acontecimentos inesperados.